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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017




"E se, em pouco mais de um século, o clima de obviedade se transformou, não desapareceu. Conhecem-se todos os inconvenientes da prisão, e sabe-se que é perigosa quando não inútil. E entretanto não "vemos" o que pôr em seu lugar. Ela é a detestável solução, de que não se pode abrir mão."

[Michel Foucault]

sábado, 7 de abril de 2012




"Vamos admitir que a lei se destine a definir infrações, que o aparelho penal tenha como função reduzi-las e que a prisão seja o instrumento dessa repressão; temos então que passar um atestado de fracasso."


[Foucault]

domingo, 4 de dezembro de 2011




"A prisão não serve para aquilo que se  diz servir, não foi inventada para a ressocialização."


[Foucault]

quarta-feira, 6 de abril de 2011


E quando os prisioneiros começaram a falar, viu-se que eles tinham uma teoria da prisão, da penalidade, da justiça. Esta espécie de discurso contra o poder, esse contra-discurso expresso pelos prisioneiros, ou por aqueles que são chamados de delinquentes, é que é o fundamental, e não uma teoria sobre a delinquência.


Foucault

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A busca pela verdade!




Somos obrigados a confessar a verdade ou a encontrá-la!
O poder não pára de nos interrogar, de indagar, registrar e institucionalizar a busca da verdade, profissionaliza-se e a recompensa. No fundo, temos que produzir a verdade como temos que produzir riquezas, ou melhor, temos que produzir o discurso verdadeiro que decide, transmite e reproduz, ao menos  em parte, efeitos de poder. Afinal, somos julgados, condenados, classificados, obrigados a desempenhar tarefas destinadas a um certo modo de viver ou morrer em função de DISCURSOS VERDADEIROS que trazem consigo efeitos específicos de poder.


Foucault

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011


"No entendimento de Foucault, a noção de repressão é pérfida, porém tornou-se difícil livrar-se dela na medida em que pareceu adaptar-se bem a uma série de fenômenos que dizem respeito ao efeito do poder [...] Ora, me parece que a noção de repressão é totalmente inadequada para dar conta do que existe justamente de produtor no poder. Quando se define efeitos do poder pela repressão, tem-se uma concepção puramente jurídica deste mesmo poder, identifica-se o poder a uma lei que diz não. O fundamental seria a força da proibição. Ora, creio ser esta uma noção negativa, estreita e esquelética do poder que curiosamente todo mundo aceitou. [...] O que faz com que o poder se mantenha e que seja aceito é simplesmente que ele não pesa só como uma força que diz não, mas que de fato ele permeia, produz coisas, induz ao prazer, forma saber, produz discurso."


Foucault

domingo, 23 de janeiro de 2011

Existe um momento central na história da repressão, qual seja a passagem da punição para a vigilância. O momento no que tange a economia do poder, que se percebeu, ser mais eficaz e rentável vigiar que punir.Para podermos concretizar não somente o mecanismo do poder, mas também sua intensidade, podemos dizer que somos obrigados a produzir a verdade, somos obrigados ou condenados a confessar a verdade ou a encontrá-la. O poder não pára de nos interrogar, nos indagar, registrar e institucionalizar a busca pela verdade.


Foucault

sábado, 22 de janeiro de 2011


A prisão esteve, desde sua origem, ligada a um projeto de transformação dos indivíduos. Habitualmente se acredita que a prisão era uma espécie de depósito cujos inconvenientes se constatado por seu funcionamento, de tal forma que teria dito ser necessário reformar as prisões, fazer delas um instrumento de transformação dos indivíduos. Isto não é verdade: os textos, os programas, as declarações de intenções estão ai para mostrar. Desde o começo a prisão devia ser um instrumento tão aperfeiçoado quanto a escola, caserna ou o hospital, e agir com precisão sobre os indivíduos. O fracasso foi imediato e registrado quase ao mesmo tempo que o próprio projeto. Desde 1820 se constata que a prisão, longe de transformar os criminosos em gente honesta, serve apenas para fabricar novos criminosos ou para afundá-los ainda mais na criminalidade.


Foucault

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O Gênio!


O que é fascinante nas prisões é que nelas o poder não se esconde, não se mascara cinicamente, se mostra como tirania levada aos mais infímos detalhes, e, ao mesmo tempo, é puro, é inteiramente "justificado", visto que pode inteiramente se formular no interior de uma moral que serve de adorno a seu exercício: sua tirania brutal aparece então como dominação serena do Bem sobre o Mal, da ordem sobre a desordem.


Foucault